Considerações sobre os dados de deficiência do Censo 2010

Neste ano de 2012, aproximei-me do tema acessibilidade e suas articulações com inclusão digital no Projeto +Telecentos. Nossa proposta é investigar a produção de estratégias para ampliar o acesso de pessoas com deficiência às tecnologias da comunicação e informação em diferentes contextos brasileiros.

Essa busca incluiu uma pesquisa sobre os dados mais atualizados da população com deficiência no Brasil. Nessa pesquisa, descobri que o Censo de 2010 ainda não teve suas informações totalmente disponibilizadas de maneira compreensível para a população em geral. Ao invés disto, foram lançados conjuntos de tabelas com os dados brutos para serem trabalhados por quem se interessar.

Por ser o +Telecentros um projeto nacional, que se preocupa com os diferentes contextos, constantemente busco informações que me ajudem a ter uma dimensão de contrastes, especificidades. Como as informações oficiais do IBGE sobre o assunto ainda não foram lançadas, resolvi publicar aqui as infos que me foram mais úteis neste percurso para que possam ser úteis para quem precisar também.

Uma primeira informação que achei bastante expressiva é que o Censo aponta que 23,92% da população declara algum tipo de deficiência. Isso representa um aumento de quase 10% em relação ao Censo de 2000, no qual 14,5% da população declarou algum tipo de deficiência. Não acredito que ocorrência de deficiências tenha aumentado. Acho que elas se tornaram menos invisíveis aos olhos dos pesquisadores e da sociedade, o que considero uma grande vitória do movimento das pessoas com deficiência.

Depois desse olhar mais macro, quis visualizar a  distribuição da população com deficiência nas diferentes regiões do país para ver onde se concentram os maiores números. Encontrei o seguinte:

O Sudeste e o Nordeste se destacam como os que possuem os maiores números absolutos de pessoas que declaram algum tipo de deficiência no país. Nada surpreendente pois são, também, as regiões mais populosas. No entanto, quando olhamos distribuição percentual destas pessoas  dentro da população de cada região, descobrimos que o Nordeste e o Norte vêm na frente das demais regiões, o que pode indicar uma carência nos sistemas de saúde nessas regiões possam interferir nisso.

Quis saber também quais eram as deficiências mais recorrentes e se havia diferenças nas suas ocorrências nas regiões. O Censo perguntou sobre a existência de quatro tipos de deficiência: visual, auditiva, motora e mental. A distribuição entre estas é bem parecida em todas as regiões, sendo que a deficiência visual é a mais comum, seguida pela motora, auditiva e mental.

Compilei as informações de todas as deficiências e regiões neste gráfico abaixo. A leitura do gráfico é a seguinte: dentre todas as pessoas que declararam algum tipo de deficiência na região, qual a porcentagem que declarou cada uma delas. Dado o alto índice de deficiência visual, podemos presumir que ela ocorre com frequência em conjunto com outras deficiências.

Por enquanto é isso. Mais para frente vou incluir aqui outras pesquisas sobre o mesmo tema. Para quem quiser a tabela que baixei no site do IBGE e serviu de base para os gráficos é só clicar aqui.

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