histórias de nós

Como já publiquei anteriormente, das sutilezas dos meus encontros com o mundo, tenho produzido registros fotográficos que expressam um monte de mim e um tanto de mundo. Acontece que alguns destes registros começaram a chamar a atenção de algumas pessoas não tanto pela sua beleza fotográfica e mais por alguma questão, algum movimento, que o registro revela no contato. Assim, nasceram contos que foram escritos e depois ilustrados com algumas fotografias que registrei e também contos que se constituíram a partir do movimento que a pessoa viu em algumas das minhas fotografias.

Como esses trabalhos têm se dispersado por aí, publicados em diferentes mídias, resolvi concentrar aqui todos os textos e fotos. Desse modo, eu mesmo posso visitá-los de vez em quando e também as pessoas podem me conhecer melhor pelos efeitos dos encontros entre a minha sensibilidade à luz com a sensibilidade às palavras de alguns companheiros de jornada.

As duas histórias abaixo são da baiana Carla Côrte e foram publicadas no Facebook.

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Olho para os dois lados. Quando sei que posso seguir adiante não penso duas vezes antes de continuar. Basta ter aquela sensação do que quero, sigo em busca. Mesmo. Não desisto facilmente. E muito menos deixo de assumir o que sinto. Gosto de correr a favor da velocidade porque fica tudo muito mais rápido. Mas ando sem muita pressa. E como tem sido fundamental lutar contra a invisibilidade que as ruas dessa cidade imprimem nas pessoas. Dessa forma, correndo risco, torna-se necessário acertar.

Também gosto de conhecer lugares novos. Onde ninguém me conhece. Andar no meio da multidão de uma gente completamente desconhecida. Sozinha com os meus sonhos, projetos e aquelas vontades mais secretas. Parar. Olhar novamente para um lado. Para o outro. Perceber que há outros caminhos. E, por isso, outras tantas possibilidades. Aceitar que muitas vezes erro e que não consigo nunca foi apenas uma dificuldade passageira. É tão prazeroso perceber que estou na estrada certa. Mesmo devagar.
Pressa não é comigo. Gosto de andar em alta velocidade. Percebem a diferença? Saber que logo ali à frente pode acontecer muito do que planejo. Saber que isso é escolha minha. Ter a consciência de que se eu continuar caminhando vou me tornar uma pessoa melhor. Aprender a lidar, de forma serena, com os imprevistos e não correr tanto o risco de ser atropelada.
Depois, quero mesmo é voltar pra casa. De onde vim e onde tudo começou. Pessoas que eu amo. Tudo que é de mais essencial em minha vida. Só assim consigo continuar. E logo me pego olhando para os dois lados. Às vezes quero até me esquecer de fazer isso para correr um pouco o risco de caminhar entre dezenas de pessoas que, muitas vezes, nem olham ao seu redor.
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– Sabe? Acho que começo a entender que as pessoas…Pausa. Suspira fundo como se buscasse, no interior do interior, uma possível resposta.- Como? Ela pergunta. Na verdade, anseia por saber.

– As pessoas não nasceram para realizar os meus planos de uma felicidade ensolarada, os meus projetos de um futuro inteiro e perfeito, mas sim elas próprias alimentam os seus sonhos à sua maneira. Interessante é como um sonho se encontra com o outro e o modifica, a forma como as pessoas atravessam a vida umas das outras e as transformam, emprestando algum sentido embora elas nem desconfiem como isso acontece, quando e por quê. Silêncio. É preciso refletir sobre cada palavra. Sobre a junção das palavras e os sentidos que elas constroem. Provisórios ou duradouros? Estabelecer conexões com a vida prática. Identificar em suas histórias esse encontro.

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